terça-feira, 14 de novembro de 2017

Família & Escola - Parceiros possíveis e necessários

Na teoria e na prática seu melhor parceiro 
Madressilva Magalhães

 Quando explicamos ou falamos com o aluno, será que ele entende realmente? Devemos ficar atentos ao vocabulário, falar de formas diversificadas, explorando os órgãos dos sentidos, pois há várias formas de se comunicar e entender o outro. Como o aluno está percebendo, observando e absorvendo tudo?

O professor deve se preocupar com acolhida todo dia, observar se há aluno sofrendo ou fazendo bullyng, ficar atento às brincadeiras inadequadas. Muitas crianças sofrem com brincadeiras com o nome. Madressilva sofreu com isso, na hora do recreio os colegas gritavam: Madre cadê o padre? Ela ficava chateada. Um professor conversou com ela e mostrou-lhe que madressilvas eram pequenas florezinhas, lindas e muito perfumadas à noite, que existiam muitas no Sul, por isso o escritor Érico Veríssimo colocou-as no livro Olhai os lírios do campo.

É importante o professor fazer a criança entender que ela é única e não deve ligar para o que os colegas dizem sobre ele, individualmente fortalecer quem está sofrendo. Isso melhora a autoestima, deve-se ter conhecimento para fazer as intervenções e fazer o aluno olhar por outro prisma. O conhecimento faz abrir caminhos e o sujeito fará suas escolhas de forma mais tranquila.

Sabemos que a parceria é necessária e possível, apesar de estar complexa. Escola, família e comunidade necessitam estabelecer um ponto de intercessão mais abrangente. Quanto mais sobreposição das esferas, maior a influência, maior a articulação entre a tríade. É importante observar onde se pode melhorar, qual área deve ser trabalhada para que haja uma intervenção própria e eficaz. É preciso trabalhar a igualdade e o respeito às diferenças. Entender a aldeia, compreender a família, trazer a família para a escola, lidar com a família de forma harmoniosa para haver uma parceria verdadeira. É preciso viver em harmonia com a família e a comunidade, pois temos especificidades e devemos respeitar as diferenças e o espaço de cada um.

"É necessária uma aldeia inteira para educar uma criança” - provérbio africano

Entender o mundo para perceber a influência dele sobre todos, inclusive os alunos.

O discurso que a família dá educação e escola dá instrução é ultrapassado. A missão é de todos, da família, da escola e da comunidade. Os papeis são inseparáveis, quando a família entrega o filho para a escola, não é o fim da sua missão, o mesmo ocorre com a escola, não entregamos a responsabilidade, somos co-responsáveis.

Outro discurso feito pela escola “os pais que mais precisam ir à escola são, precisamente, aqueles que nunca vão lá” e que deve ser revisto. Problemas com adaptação, comportamento e dificuldade de aprendizagem vêm aumentando. Porque o aluno é assim...

Antes os filhos tinham uma interação vertical, os pais e os professores falavam e os filhos e alunos obedeciam. Hoje têm uma interação horizontal, os alunos reclamam, opinam de igual para igual, questionam, este é o panorama da nova aldeia.

As características da nova geração e da aldeia são:
• As informações são numerosas e rápidas.
• Os alunos são visuais – tudo está na palma da mão, por isso têm necessidades do celular e da tecnologia de última geração.
• Mudam o foco de interesse rapidamente.
• Exigem mais dos pais financeiramente para manter a tecnologia.
• Pais tem um filho, porque criança é cara.
Afinal somos Jo ( jovens ) ou Ju (jurássicos)?

Quem é Ju tem espelho na bolsa, Jo usa o celular para retocar a maquiagem.

A tendência do filho único impacta na escola. A convivência, aprender a dividir era feito em casa com os irmãos, que eram quatro ou mais filhos. A solidariedade era ensinada em casa, porque tudo deveria ser dividido. Hoje não se divide nada, cria-se um reino encantado, trata o filho como um bibelô. O filho domina em casa e domina os pais. Quando passa a conviver com seus pares, passa a ter conflitos na escola, afinal é no grupo que se aprende a relacionar.

Na família, não há mais um provedor, há igualdade de gêneros, ambos trabalham. A criança aproveita disso, faz a leitura do cenário, vai até o pai quando a mãe diz não, vai até a mãe quando o pai diz não. Manipula. O lazer da família é no shopping, lugar de consumir. Consumir quer dizer felicidade. A família não pensa, atende ao desejo dos filhos.

Hoje os pais são mais velhos, porque estudaram e cuidaram primeiro da profissão, são superprotetores, acabam levando suas inseguranças para os filhos e para a escola. A escola deve acolher e orientar a família.

A responsabilidade da escola para trabalhar a convivência é grande, a criança aprende a conviver e a aceitar os colegas na escola.

E a escola por outro lado não alcança o tipo de profissão do mercado, afinal ensina sempre para as profissões que existem, não educa para a profissão que não existe, não educa para a criação, para a iniciativa. Houve mudança no mundo e a mudança foi rápida e as profissões também surgiram de repente, criadas por crianças e jovens antenados: youtubers, chefs, que ganham muito bem. Então para que estudar?

O que interessa para essa geração é o affordance, que é o potencial de um objeto para ser usado como foi projetado para ser usado. A geração utilitária é antiga. Os jovens percebem que o que não é útil, deve ser descartado. O pensamento do jovem é diferente, não precisa da utilidade do objeto, um teclado, por exemplo, para quê, não é útil.

Se há mudança no desenho familiar. Muda-se também o papel da escola. Muda a expectativa do aluno em relação à família. A família não dá limite, não diz não. A escola deve dar o limite e dizer não.

Saímos da unidade de produção para a unidade de consumo. A família hoje se preocupa com o afeto, o filho deve ser feliz. Ter sucesso é ser feliz. A expectativa da escola não mudou, o desejo da escola é ter alunos pacíficos, obedientes. Qual é o perfil dos alunos que temos hoje?
1) Cheguei chegando – um bando, tagarelas, bagunceiros.
2) Que tipo de aulas a escola oferece aos alunos?
O professor dá uma aula expositiva e exige que ele aprenda, que faça os exercícios corretamente, porque ele explicou.
3) E como os alunos respondem?
Nada sei nada, nada desta vida.
Não entendi nada.
4) É preciso entender os discursos.
Alô! Alô marciano, aqui quem fala é da terra.
Discurso não funciona, cria-se um movimento de onda,
E o aluno responde - tô nem aí, tô nem aí
Oh! Sim
Eu estou cansado
Na sala de aula é infeliz
No recreio, os alunos são felizes, fazem selfies
Ela não anda, ela desfila, ela é top...
5) Professor frustra-se.
E aí, eu comecei a cometer loucura. ( Ex: jogar o celular do aluno no chão)
O professor esquece qual é o seu papel, pelo exemplo, começa a perder a essência.
6) Os alunos falam que querem outra chance.
Só mais uma vez, amanhã talvez, só mais uma vez.
O professor dá outra chance. Enquanto isso chega até a escola a violência contra a professora. O Brasil lidera violência na educação contra professor e aluno.
7) É preciso mudar a aldeia.
Sabe o que eu queria
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Mas a vida é louca
Meus amigos são amigos de ninguém
Morar no interior do meu interior
Eu quero algo pra beber...

Precisamos fazer o exercício de transformar pessoas, vidas, mudar a aldeia global. Como?

Assumindo verdades irrefutáveis, mudar posturas.

O que é mais importante é a natureza do negócio.

Precisamos fazer um serviço de qualidade aos estudantes, o contrato de prestação de serviço educacional deve ser da melhor qualidade.

Que estratégias funcionam? –O ponto de tensão deve ser ótimo, nem tão estressante e nem tão frouxo.

É preciso equilíbrio, estabelecer espaço, até onde a família vai? Qual é o papel da escola? Até onde a família pode interferir?

A escola tem que ter conhecimento e argumentos, ter postura de liderança, conhecer o negócio.

Fazer reuniões de pais, apresentar o planejamento, fazer momentos privilegiados.

Fazer reuniões individuais para fazer pontuações necessárias sobre o aluno e ouvir também os pais e alunos.

Fazer reuniões coletivas – ter tema, ser instrucional, ser de ouvidoria, pensar no contexto.

Trabalhar a sexualidade, drogas, gêneros, precisamos acolher as novas famílias e orientar os pais.

Abrir espaço para ouvir – não se defender no mesmo instante. Ouvir é um exercício importante para começarmos a entender o panorama das famílias com quem trabalhamos.

Esclarecer aos pais o que a escola fez com as propostas apresentadas por eles.

É necessário receber, filtrar e dar respostas. Ouvidoria não é contrapor. É criar espaço para os pais ter vez e voz.

Os eventos comemorativos devem ser com a família, isso faz aproximar e abre o diálogo. A família deve participar dos projetos, ficar só assistindo os filhos, não agrega nada, o interessante é que os pais façam junto com o filho. A escola deve abrir espaço para a família participar.

É preciso descobrir a forma mais eficaz e eficiente de comunicar os princípios e os valores da escola.

A comunicação escola-família deve ser transparente, sem ruídos, saber escolher bem os canais de divulgação para que ela seja de forma clara e oportuna. Decidir as estratégias de comunicação em equipe, respeitar os princípios da ética e da coerência.

Entender qual canal a escola deve usar para atingir os alunos e os pais. Proibições não resolvem, é preciso aprender a lidar com as tecnologias para aproximar. Fazer painel de comunicação.

Entender os ruídos para mudar as estratégias.

Romper com os rótulos com relação às crianças, aos adolescentes, no conselho de classe se rotula o aluno para o professor do ano posterior.

Professores afirmam que os alunos não gostam de estudar, não escrevem, não tem compromisso... Deixe o professor do ano seguinte descobrir qual é o perfil do aluno, pode ser que se surpreenda.

Mudou-se o perfil, hoje os alunos são contestadores, porque foram educados nesse ambiente. Reclamam de tudo, não gostam de tarefas rotineiras, que não são bem explicadas e não conseguem realizá-las na prática. Os alunos são ansiosos, impacientes, multifuncionais, não têm compromisso com eles próprios, nem com o que acreditam e estão fascinados pelas novidades. É uma geração que quer ser ouvida pelos seus canais de comunicação. Por isso é importante a escola se atentar para o canal de comunicação que permita a opinião do aluno.

Todo aluno tem direito à educação e é evidente que os pais também têm o direito de ser exigentes, de cobrar da escola o melhor. Os professores devem ser líderes inspiradores, devem investir na formação dos vínculos, pois a afetividade é o canal para recuperar a aprendizagem, impulsionar, apontar caminhos e reconstruir a esperança. Observem os grandes líderes, passaram por grandes obstáculos para conseguir o seu objetivo.

Há uma banalidade do mal na escola, do mal pedagógico – o mal não se enraíza numa região mais profunda do cérebro, não tem estatuto ontológico, pois não revela uma motivação. O mal é superficial, o bem é profundo. Quanto mais superficial alguém for, mais provável fazer o mal. É preciso entender a nossa essência, o professor pode ajudar o aluno a entender isso e também se entender. Cumprir normas é banalidade do mal pedagógico. A essência da pessoa é transformar o mundo e as pessoas, isso sim é importante e faz a diferença.




Texto elaborado por Eliana Aparecida Prata a partir da palestra oferecida pelo Sistema de Ensino Bernoulli em BH dia 21 de outubro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Redação adaptada para o vestibular da UFU

Uberaba, 30 de agosto de 2017.

Prezado professor Leandro Karnal,

Tenho participado, desde 2015, de um grupo de escritores paulistas, cujo projeto resume-se em arrecadar coletâneas de textos virtuais e expô-las no Museu de Língua Portuguesa. Realmente, impressionei-me com a semelhança entre o nosso trabalho e o texto publicado pelo senhor, que tão bem traceja limites à liberdade de expressão. Nosso principal objetivo, meu e dos meus colegas, sempre centrou-se em trabalhar a linha tênue entre a opinião e o discurso de ódio, que tanto se confundem nas publicações atuais. Como professor, deve conviver diariamente com os extremismos que se passam por liberdade de expressão entre seus alunos e que, não raramente, ofendem os interlocutores. O fato, professor, é que, de um lado, parece-nos faltar limites à construção de opiniões e, de outro, o entendimento da língua.

De fato, como escritora, e agora não trato apenas do meu projeto, de que já lhe falei, deparo-me com inúmeros casos de interpretações errôneas sobre o que digo e o que escrevo, haja vista que nós, você e eu, usuários da língua portuguesa, construímos e descontruímos opiniões o tempo todo. Noto, no entanto, que várias vezes o maior defeito não está no escritor, mas no leitor. A interpretação linguística é sim de suma importância em um contexto e, em muitos casos, os brasileiros não se desgarram do denotativo para interpretar uma ironia ou uma metáfora. Cria-se, assim, frases e “verdades” não ditas. A liberdade de expressão, professor, é um direito que existe e, como tal, merece ser bem interpretado antes de julgamentos.

É claro que, obviamente, o discurso de ódio é muitas vezes pensado e escrito. Nesses casos, o maior problema torna-se a mentalidade do criador das opiniões, que as compartilha sem limites. Em nosso projeto, notamos grande extremismo em certas publicações, principalmente naquelas ligadas à política e à sexualidade, em resumo, tabus sociais. A explicação, professor, está na história: a liberdade de expressão é um direito de bases relativamente recentes, ainda que não seja bem utilizada por alguns cidadãos. O fim da Ditadura Militar trouxe consigo o retorno da voz social, esquecida desde a primeira República. Como professor, deve lembrar-se do tempo em que mesmo a grade curricular de ensino era controlada, e as manifestações, duramente reprimidas. Não se sabe ainda lidar com limites que protejam a individualidade dos brasileiros, pois a ânsia de se expressar uma opinião é muito grande depois de tanto tempo de silêncio.

Concordo com o senhor é claro. Em tudo há limites e consequências. Já é hora de diferenciar o que é útil do que é ofensivo, para que possamos nos comunicar melhor.

Atenciosamente, Josefa.




Texto produzido pela aluna Júlia Barbassa França da 3ª série Ensino Médio a partir de uma proposta de redação adaptada para o vestibular da UFU.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"Atenção e caridade"

Tema: Visita ao Asilo Santo Antônio - Setembro / 2017
Título: Atenção e caridade

No Asilo podemos conversar com os idosos e saber sobre suas vidas. O que gostam de fazer, quais eram suas profissões, onde moravam, quais seus nomes e idades, eram nossas perguntas mais simples.

É perceptível a falta que alguém faz para conversarem e para se entreterem . O pouco tempo que estivemos lá, pudemos perceber também o quão carentes são. Suas boas energias se espalhavam pelo ambiente todo e entravam em nossos corações, podendo ser como a chave correta atingindo nosso espírito e tocando nossa caridade e amor.

Não há do que reclamar sobre a limpeza e os cuidados geriátricos, além, é claro de sermos muito bem atendidos e direcionados. Um bom palpite seria de termos mais visitas como essa em nossa escola, para ver se aprendemos a ser mais simples, respeitosos, caridosos e principalmente mais atenciosos um para com os outros.



Texto escrito pela aluna: Clara Hoyler Teixeira 

Turma: 7º ano "A" – Ensino Fundamental Anos Finais 

Disciplina: Ensino Religioso 

Professor: Wanderson R. Ferreira

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

"Educação brasileira: um sistema em colapso"

Diferentemente do que ocorreu no Período Militar, quando o governo investia maciçamente na área educacional, ocorre, na atualidade, um descaso governamental perante o ensino da população. Esse descaso ocorre devido à ausência de um Estado forte e à menoridade intelectual dos brasileiros que não reivindicam por uma educação de qualidade. Tais situações acabaram por acarretar no caos que se encontra a educação atual.

Dessa forma, a ausência do Estado forte idealizado por Hobbes, no qual por meio de um controle estatal rígido há a garantia de paz e de ordem social, influenciou na péssima administração da educação nacional, uma vez que o Estado não promoveu fiscalização nem provas que comprovassem a qualidade do ensino transmitido aos alunos. Além da falta de fiscalizações, há a falta de investimentos na área, o que acarreta em uma infraestrutura de baixa qualidade e um ensino precário.

Juntamente ao Estado fraco, há, na sociedade brasileira, o estado de menoridade teorizado por Kant, o qual significa a falta de senso crítico do indivíduo perante um conhecimento. Logo a ausência de criticidade impossibilita que ele crie um entendimento próprio e individual sobre o assunto. Essa menoridade intelectual permite a alienação da população perante os interesses de uma classe dominante, uma vez que os indivíduos desprovidos de senso crítico adotam esses ideais como sua ideologia, o que promove a criação de um obstáculo para as reivindicações. Isso ocorre pois o cidadão acredita que “seus” ideais estão sendo preservados, o que impede que ele se revolte. Essa situação é presenciada na área educacional, uma vez que os brasileiros pagam uma das maiores cargas tributárias e não as veem sendo revertidas em investimentos. Em contrapartida, não se presencia frequentemente reações de protestos sobre o assunto, o que comprova a alienação social.

Tendo em vista isso, é possível perceber a necessidade de investimento na área educacional e sua consequente fiscalização. Isso pode ser efetivado pelo apoio governamental juntamente com o Ministério da Educação por meio de investimentos na melhoria da infraestrutura das escolas e na melhoria da qualificação dos profissionais da educação. Faz-se também necessária a implantação da educação politizadora de Paulo Freire, a qual visa a formação de um senso crítico pelo indivíduo. Isso pode-se efetivar com o apoio do Ministério da Educação juntamente com a sociedade por meio da implantação de matérias como empreendedorismo e ética no currículo escolar obrigatório, visando quebrar os obstáculos das reivindicações. Dessa forma, essas medidas, em conjunto, podem possibilitar melhorias no sistema educacional brasileiro.



Aluna: Ana Letícia Borges

3ª série - Ensino Médio

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Reconto em rimas: "Lenda do Guaraná"

Há muito tempo
Em uma tribo distante
Nasceu um indiozinho
Com uma beleza brilhante.

Jurupari, deus do mal
Invejou o indiozinho
Com o bote mortal.

A notícia se espalhou
E a tribo assustou
Com a morte do pequeno índio
Tupã se espantou e com força trovejou.

A mãe que chorava desesperadamente
Encontrou consolo na mensagem de Tupã
Plantou os olhos do indiozinho
para a tribo ter felicidade amanhã.



Texto produzido pela aluna Maria Clara Vieira Bessa - 3º ano Ensino Fundamental Anos Inicias durante a atividade extraclasse - Produção de Texto - com a Professora Lidiane Miranda.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"O tudo e o nada"

Era um fim de tarde ensolarado em que eu seguia a caminho de uma viagem de negócios. Sentia inúmeras espécies de borboletas brincarem no meu estômago. Maldita ansiedade. Podia explicar aquilo apenas por estar à caminho de algo extremamente importante, quase tudo para mim, algo que mudaria minha vida e bem mais do que eu imaginava.

O tempo foi passando e eu, sozinha naquele carro, ouvia músicas no rádio e tentava me manter acordada, sabia que não podia parar para descansar, pois assim chegaria atrasada. Duas horas depois, eu comecei a sentir minhas pálpebras pesarem, já não podia contê-las e cada piscada se tornava um momento maravilhoso de alívio do sono.

De repente aquele alívio se tornou longo demais. Abri os olhos assustada e percebi uma luz muito forte se aproximando cada vez mais. Foi então que eu ouvi o estrondo, não houve o que fazer. Senti o cinto de segurança desprender e uma dor horrível ao bater no vidro e voar para fora do carro. Cai com muita força no chão e, enquanto passava um filme de memórias na minha cabeça, pude ver um carro se aproximando.

Não consegui me mover e o veículo passou por mim como uma pedra qualquer. Rolei pela estrada, caindo em uma ribanceira e sentindo a maior dor que já tinha sentido até então. Olhei ao redor e só havia mato. Olhei o meu corpo e percebi que agora eu só possuía uma perna. Chorei como uma criança desesperada, enquanto via a poça de sangue que se formava ao meu lado e perdia todas as minhas forças.

Acordei. Senti-me mais leve, meu corpo parecia estar iluminado e eu tinha duas pernas novamente. Comecei a andar e me recordei de tudo o que havia ocorrido. Foi então que conclui: eu estava morta. Não houve reação, saí correndo aos prantos e suspeitei estar em um cemitério. Alguns passos depois e encontro minha família e amigos em volta de um caixão. Quase todos choravam lágrimas de tristeza e de saudade. Um velório triste e comovente.

Sentia-me leve, arrependida e principalmente vazia. Sabia que ninguém me via ou ouvia. Comecei a me lembrar de toda minha vida e me arrepender de incontáveis fatos. Talvez ainda nem tivesse aproveitado o suficiente; agora seria impossível. Observei meu caixão ser colocado na cova; na lápide estava meu nome e uma bela foto. Depois vi todos seguirem seu rumo. Então, sentei em meu túmulo e foi aí que percebi: agora eu era pó. Em uma piscada de olhos, passei de “tudo” ao “nada”! E assim foi o meu fim.

Nota: Este relato é produzido a partir da perspectiva de um narrador que é defunto-autor. 




Aluna: Silvia Rosa Prieto Urzêdo 

1ª série "A" - Ensino Médio 

Profª Drª Priscila Toneli